Apenas quem cria sabe a angústia que é ver sua tela em branco. Aquele que o espia até acredita que o artista, que está há horas trancado para trabalhar, está meditando e se preparando para transformar o vazio em arte. Mas a suposição do curioso só surge por não estar vendo a ansiedade que o corrói por dentro. E ainda que ele simplesmente não consegue parar de pensar na próxima coisa que irá comer.
Bate uma depressão. A gente se sente inútil e incompetente por não conseguir cuspir os sentimentos pra fora. Nem sabemos quantas vezes já pensamos em desistir. O nosso grande sonho nos arranca o sono. Conseguimos fazer de tudo, menos nos concentrar. É duro, mas tem solução. E é mais simples do que parece.
Para começar, comece.
É algo comum entre escritores de se falar em "bloqueio" criativo. Na verdade, é até polêmico porque alguns nem acreditam nesse termo. Muitos dos que vivem da escrita afirmam que essa dificuldade nada mais é do que outra palavra para descrever que o próprio escritor não conhece os seus personagens tão bem para prosseguir com a história. Ou então não sabem o que quer contar e, principalmente, não tem prazos a cumprir. Mas o assunto aqui vai além desse tema.
A ansiedade talvez seja a maior inimiga dos criativos. Querer ver finalizado de uma hora para a outra uma obra que levará meses para ficar pronta pode fazer com que se desista antes mesmo de começar. Não é vergonhoso abandonar algo pela metade quando se desanima em continuar, e sim a frequência em que se faz isso. Não sou eu que estou falando, esses seus diversos projetos engavetados é que estão.
Eu sou um abandonador oficial desde a minha infância. De lá para cá eu possuo mais desistências na coleção do que projetos concluídos. Prometi a mim mesmo que um ou outro eu ainda iria terminar. Do jeito que as coisas estão indo, continuarei me enganando por muitos anos. E isso tem que parar.
Recentemente, eu levei alguns tapas na cara lendo o livro "Sobre a Escrita" do Stephen King. Um dos pontos em que ele toca é sobre levar a escrita a sério e, quem não o faça, que desista de uma vez. Acho que isso se encaixa em qualquer coisa na vida. Se você realmente não levar o que gosta de fazer a sério, mesmo que seja como um hobbie, nem vale a pena ficar sonhando com ela. Se é o que quer, arregace as mangas e o coloque em prática. É incrível como o medo nos faz complicar tudo.
"Amadores se sentam e esperam a inspiração, o resto de nós se levanta e vai trabalhar".
Essa frase é outro ponto na qual Stephen faz com que a gente se dê conta e se mexa. É como dizem por aí: o sucesso é 1% inspiração e 99% transpiração. Talvez, nesse caso, estejamos mais para Wesley Safadão, mas não apenas 1%, e sim 99% vagabundo por ficar esperando a tal da inspiração.
Começar é estar disposto a correr riscos. Então, se você tem certeza que é o que quer, comece, porra! Até quando vai postergar isso? Às vezes, não é fácil, mas mesmo assim sente-se e escreva, crie, pinte, programe, planeje, seja o que for, FAÇA. Vá colocando no papel que as coisas vão fluindo. Demorei até aprender essa lição. E é sempre bom relembrar, a ansiedade insiste em bater à porta.
Ao começar é que a nossa vida muda. Cada dia é uma nova provação. Por isso é importante focar no presente. Quando conseguirmos, finalmente, chegar ao fim do nosso propósito, veremos o quanto valeu a pena. E terá sido melhor que o esperado. Daí, é só comemorar e partir para o próximo.
PS: Se o seu projeto for um livro, então, meu amigo, aí é outra história. Pare de comemorar e volte ao início para reescrever. Você ainda tem muito trabalho pela frente.










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